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sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago

O escritor português e Prémio Nobel da Literatura em 1998 José Saramago faleceu hoje, aos 87 anos em Lanzarote.




Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, na Golegã, a 16 de Novembro de 1922, e apesar da mudança com a família para Lisboa, com apenas dois anos, o local de nascimento seria uma marca constante ao longo da sua vida, como referiria em 1998, aos 76 anos, no discurso perante a Academia Sueca pela atribuição do Nobel da Literatura.

Em 1939 termina o estudos de Serralharia Mecânica e emprega-se nas oficinas do Hospital Civil de Lisboa. A paixão pela literatura é alimentada de forma autodidacta, nas noites passadas nas Bibliotecas do Palácio das Galveias.

A primeira obra publicada, “Terras do Pecado”, surge em 1947. O título original, “Viúva”, foi alterado por imposição do editor da Minerva, que o considerava pouco comercial, e essa é uma das razões pela qual Saramago resistia a incluí-lo na sua bibliografia.

“Clarabóia”, que seria o sucessor de “Terras do Pecado”, foi recusado pelo seu editor e permanece inédito até hoje. A partir de 1955 começa a desenvolver trabalho de tradutor, dedicando-se a nomes como Hegel ou Tolstoi. O regresso à edição dar-se-ia apenas mais de uma década depois, quando em 1966, quando ocupava o cargo de editor literário na Editorial Estúdio Cor, surge o livro de poesia “Poemas Possíveis”. Então um autor discreto no panorama literário nacional, continuaria a exprimir-se em poema nas obras seguintes, “Provavelmente Alegria” (1970) e “O Ano de 1993” (1975).

Crítico literário na “Seara Nova” a partir de 1968, torna-se membro do Partido Comunista Português, do qual será um dos mais distintos militantes até à sua morte. A partir do final de década de 1960, desenvolve trabalho intenso na imprensa, quer no Diário de Notícias e Diário de Lisboa, quer n’A Capital, no Jornal do Fundão ou na orientação da revista Arquitectura.

Em 1975 torna-se director-adjunto do "Diário de Notícias". Em pleno PREC, esta função representaria o auge do seu percurso jornalístico e seria fundamental para o seu regresso à literatura e ao romance, o género que o notabilizaria definitivamente. Demitido no 25 de Novembro desse ano, toma a decisão que transformaria a sua vida. A partir de então, seria um escritor a tempo inteiro.

“Manual de Pintura e Caligrafia”, três décadas depois de “Terras do Pecado”, surge como a primeira obra de José Saramago, exclusivamente escritor. Com os livros seguintes, “Levantado do Chão” (1980) e “Memorial do Convento” (1982), torna-se escritor respeitado pela crítica e conhecido pelo público. É neles que define o seu estilo enquanto romancista, marcado pelas longas frases, pela ausência de travessões indicativos de discurso e pela utilização inventiva da pontuação. Nos seus livros, personagens fictícias surgem em convívio com personalidades históricas, como no supracitado “Memorial do Convento” ou em “História do Cerco de Lisboa” (1989), e são criados cenários irreais para questionar e problematizar a actualidade, como em “A Jangada de Pedra” – a Península Ibérica à deriva pelo Atlântico.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Prémio Camões foi atribuído ontem a Ferreira Gullar

Pmio Camões para 'resmungão' Ferreira Gullar





Desta vez, o júri do mais importante prémio lusófono faz escolha surpreendente:

O poeta e dramaturgo brasileiro Ferreira Gullar é, desde ontem, o mais recente Prémio Camões. O anúncio foi feito pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, na presença dos membros do júri, e volta a galardoar a poesia como já acontecera em 1989 com Miguel Torga, o primeiro distinguido.

O autor brasileiro desconhecia a escolha do seu nome à hora de fecho desta edição, mas a sua obra não é totalmente ignorada em Portugal, onde a recém-falida editora Quási publicou a Obra Poética Completa de Ferreira Gullar, além de um livro infantil.

Nascido José Ribamar Ferreira, a 10 de Setembro de 1930, na capital do Estado brasileiro do Maranhão, o quarto de onze filhos tem uma carreira literária e de intervenção social e política que destoa devido à sua intensidade da maioria dos já premiados.

Ainda há meses, Ferreira Gullar voltara a usar o seu site para inscrever críticas ao Governo devido à alteração dos internamentos psiquiátricos. Escrevia: "Depois de algum tempo calado, volto a resmun- gar. Este primeiro resmungo vem a propósito de um problema muito grave que denunciei não faz muito tempo (...)." No mesmo local já colocara outras notas de contestação, mas também sobre a sua arte, a criação literária. Ferreira Gullar foi sempre radical na sua obra e posicionamento político, situação que o levou a ter um importante papel nos movimentos concreto e neo-concreto. Em 1961, no entanto, abandonou esta vanguarda artística para se entregar na arte militante do Centro Popular de Cultura, uma organização da poderosa União Nacional de estudantes que liderou muitas das lutas estudantis sob o regime militar. A primeira encomenda que lhe é feita por Oduvaldo Vianna Filho trata a reforma agrária, é escrita ao estilo da literatura de cordel (género típico nordestino) e intitula-se João Boa Morte, Cabra Marcado para Morrer.

Mesmo com as restrições impostas pelo golpe militar, em 1964, Gullar manter-se-á bastante activo e, a quatro mãos, publicará em 1966 a premiada peça Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come; em 67, a peça "A saída? Onde está a saída? e em 68, Dr. Getúlio, sua vida e sua glória". Com o Acto Institucional n.º 5, é preso e em 1970 entrará na clandestinidade.

O exílio será o passo seguinte, partindo para Moscovo, Santiago do Chile, Lima e Buenos Aires até ser absolvido e poder regressar. Em 2009, foi considerado uma das cem mais influentes personalidades do Brasil. Ou seja, um "resmungão" social e intelectualmente activo.

O júri do Prémio Camões é presidido por Helena Buescu e composto por Seabra Pereira, Inocência Mata, Luís Carlos Patraquim, António Carlos Secchin e a escritora Edla van Steen. Ferreira Gullar sucede ao escritor cabo-verdiano Arménio Vieira, em 2009, ao brasileiro João Ubaldo Ribeiro, 2008, e António Lobo Antunes, em 2007. O prémio foi criado pelos governos de Portugal e do Brasil em 1989 e é considerado o de maior prestígio da língua portuguesa.
in. DN